INTERVIEW HELL DIVINE MAGAZINE - BRAZIL

Interview Hell Divine Magazine

HELL DIVINE: "Em nossa oitava edição, nós não paramos de descobrir novos talentos, e não apenas no ramo da música. Mantemos essa sessão com orgulho, pois por meio dela podemos fazer nossa parte para que o Brasil (e o resto do mundo também) conheça novos talentos voltados para o design. E nessa edição, temos o prazer de mostrar a arte do grande Caio Caldas. Confira a entrevista a seguir."

Saudações! É um prazer falar com você! Faça aqui uma pequena trajetória de sua carreira. O que o levou a essa paixão pela arte e pelo design (especialmente o design para o metal)?

Primeiramente, é um enorme prazer poder dar essa entrevista para a Hell Divine, revista digital que tem crescido a cada edição e com a qual venho dividindo uma boa parceria!

Desde muito pequeno fui apresentado à música por meus pais, especialmente ao rock, e após um tempo ouvindo um pouco de tudo, passei a me concentrar mais no Metal/Heavy. A cada dia era apresentado a uma nova banda, o que me fez querer entrar no ramo da música, de alguma forma. Comecei com o interesse de ser músico, chegando a tocar alguns instrumentos, como teclado, guitarra e baixo, durante um bom tempo. Naturalmente, isso já fez com que me aproximasse mais de músicos, bandas iniciantes e undergrounds.

Desde que comecei a me interessar pelo Rock/Metal, o que me chamava muito a atenção para descobrir bandas novas eram as capas dos álbuns e a beleza de suas artes. Sempre gostei de manter a relação entre a arte do álbum e seu conteúdo musical.
Assim, decidi entrar para esse ramo da arte na música, no rock, não mais somente como músico, mas agora sim como artista gráfico, fortalecendo um pouco o que poderia estar ficando para trás com o tempo.

Sem cursos ou ajuda profissional, comecei esse interesse por Artes Gráficas e o uso de softwares da área de Design Gráfico. Rapidamente, me identifiquei com o software Adobe Photoshop e me aprofundei mais, a cada dia, em novas técnicas e novas referências de Arte Digital.
Hoje sou um designer treinado e autorizado pela Adobe e estou me formando em uma faculdade italiana de Design Gráfico, IED - Istituto Europeo di Design.

Em 2009, surgiu a ideia de juntar minhas duas paixões: a música e a arte. Nesse ano, nasceu a minha primeira e atual marca de Design Gráfico chamada “CadiesArt - Digital ArtWork”.
Depois de algum tempo e muita dedicação, a marca logo começou a ser reconhecida internacionalmente por bandas novas e undergrounds. Assim, minhas primeiras artes começaram a ser vendidas, por incrível que pareça, para fora do Brasil.

Dentre os trabalhos que você fez, cite aqui um ou mais trabalhos que te deixaram especialmente orgulhoso. O que fazem esses trabalhos tão especiais para você?

Não sou um designer de grandes bandas, pelo menos não ainda (risos) e um dos trabalhos que me deixou mais orgulhoso recentemente foi um trabalho feito para o Paul Dianno, um novo layout para seu MySpace profile (que é um dos serviços que a CadiesArt oferece, além da criação de capas), o qual o Dianno ainda utiliza para anunciar novas turnês e trabalhos. Porém, não tinha layout algum, nem fotos, não tinha nada no perfil, apenas postagens.
Fui procurado por ele para dar vida a seu perfil e torná-lo interativo, completo, mais interessante e chamativo para promovê-lo melhor; enfim, dar uma nova imagem ao trabalho dele.

A Doro Pesch também foi uma grande cliente para quem tive a oportunidade de poder fazer o MySpace da banda. Um trabalho também importante pra mim, sendo muito fã dela e tido a oportunidade de ser convidado pessoalmente por ela para seu show no Brasil como convidado da banda. Mas trabalhar com o Paul Dianno foi realmente muito especial para mim como designer e, especialmente, como um fã doente pela historia do Iron Maiden e um grande fã de quem, para mim, continua sendo um dos melhores vocalistas da História do Heavy Metal.

Outro trabalho que me deixou bem orgulhoso com o resultado final foi um dos meus primeiros clientes internacionais, bem no começo da CadiesArt, em 2009. Trata-se de uma banda norueguesa de metal industrial chamada Dominanz. O trabalho realizado foi seu primeiro álbum “As I Shine”, sendo que a capa foi minha segunda arte produzida e a primeira a ser vendida pela CadiesArt. A produção do álbum ficou impecável, me tornei um grande fã da banda, particularmente. Desde então, continuo fazendo trabalhos com eles, inclusive já estou trabalhando em seu novo EP e Álbum para 2012/2013.

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Assim como muitos artistas eu suponho que deva existir um estilo de arte no qual você prefira se envolver o mínimo possível. Existe um ou mais tipos de artes do qual você não é exatamente um fã?

Uma coisa que, às vezes, fica difícil para as bandas entenderem é o fato de eu não saber desenhar, produzir algo do zero com lápis e papel. Eu nunca me senti muito à vontade com desenhos a mão, não foi uma ferramenta em que encontrei tanta facilidade assim. Com isso, procuro evitar trabalhos que envolvam qualquer tipo de ilustração tradicional feita à mão. Tenho mais facilidade em criar direto por meio de softwares vetoriais, inclusive logos.

Minha área é Arte Digital. Todas as minhas artes são 100% digitais, com técnicas de fotomontagem, tratamento de imagens e recursos digitais, com o uso do Photoshop, principalmente.
No caso da fotomontagem, ela consiste na fusão de diversas imagens, fotos e ilustrações que, quando unidas, criam uma única cena e seu resultado final pode ser uma cena realista, uma cena de fantasia, uma arte surrealista ou abstrata.

Levando em consideração o seu talento como artista e designer, você já pensou em se voltar para o ramo de body art e tatuagens?

É até engraçada essa pergunta, porque muita gente (familiares e amigos), me pedem desenhos para tatuagens e confesso que é meio chato dizer que não posso ou não sei fazer. Mas infelizmente, como disse anteriormente, não sou um grande fã de desenho manual e ilustrações. Por não ter facilidade com suas ferramentas e não saber muito sobre técnicas de ilustração também (risos). Porém, gosto muito, conheço e admiro muitos artistas da área, grandes tatuadores e ilustradores, tenho muitos amigos que são dessa área, porém ainda não é um estilo de arte que eu gostaria de me envolver no momento.

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Seria interessante saber que fontes são responsáveis por inspirar sua criatividade na hora de criar alguma arte. Fale-nos de alguns fatores que te servem como inspiração.

Eu comecei minha própria marca com um objetivo em mente: “Eu vou criar artes para capas de CDs e ponto”. Somente após algum tempo tendo essa relação com as capas dos álbuns que eu comprava, comecei a procurar saber quais seriam os artistas por trás delas. A partir daí comecei a encontrar algumas referências de arte para mim e minha marca.

Um dos principais artistas que sempre gostei desde pequeno quando comecei a conhecer o Heavy Metal e que me influenciou muito a entrar nesse meio das artes para bandas, foi o grande ilustrador Derek Riggs, criador de um dos mais famosos, senão o maior, mascotes da história do Heavy Metal: Eddie/Iron Maiden. Esse cara ilustrou para mim as melhores e mais incríveis capas de disco que já vi. É difícil até descrever suas capas pela quantidade de detalhes encontrados ou mesmo escondidas nelas, principalmente as desenhadas para o Iron Maiden na época. O meu símbolo, que utilizo como marca e assinatura da CadiesArt, foi totalmente inspirado nele, que também possuía um símbolo como assinatura misteriosa em suas capas. Mas a criação do meu símbolo foi algo mais conceitual tendo como inspiração Leonardo DaVinci também, mas a ideia partiu do Riggs e seus “segredos” em suas ilustrações.
Ele é um artista que me inspira pela sua carreira e história, mas não diria que é um artista que inspira diretamente minhas artes digitais.

Eu sou uma pessoa que não fica um dia sequer sem procurar uma referência digital nova, um trabalho novo, conhecer novos artistas da minha área. Não conseguiria citar nomes agora por ter uma lista de referências bem variada. Que eu me lembre, as capas que me chamaram mais atenção esse ano foram a do novo álbum do Nightwish, “Imaginarium”, e do novo álbum do Epica, “Requiem for the Indifferent”. São estilos de arte que gosto de ver, bem desenvolvidas, detalhadas e conceituais. Nada muito abstrato como alguns dos trabalhos do grande Gustavo Sazes que foi uma das minhas primeiras referências de arte digital aqui no Brasil.

Como um grande profissional em sua área, que dicas você pode ceder aqui aos aspirantes a designers? Compartilhe aqui um pouco de sua experiência com seus “discípulos”.

Cara, acredito que a maior parte do meu tempo envolvido na criação de uma arte é dedicada à pesquisa de imagens, a partir de stocks grátis ou pagos, sempre com alta resolução e sempre respeitando seus devidos direitos autorais. Nesse processo de idealização do trabalho também procuro buscar referências artísticas, antes de começar a produzi-lo. Cumprida essa etapa, inicio a aplicação das técnicas digitais. Procuro sempre aprender novas técnicas que possam ser utilizadas em futuros trabalhos. Resumindo, Design é um processo que envolve pesquisa, dedicação, técnicas, tempo e, acima de tudo, conhecimento. Não pense que irá abrir o Photoshop hoje e ser um designer amanhã, não é bem assim que se constrói um artista.

Quebrando um pouco o assunto sobre design, que bandas você anda ouvindo no momento? Ultimamente tem conhecido alguma banda que vale a pena citar?

Eu curto muito Heavy Metal, Progressivo, Power, um pouco de Industrial e Hard/Classic Rock. No momento, diria que tenho escutado muito Led Zeppelin, KISS e Sabbath, nada muito Heavy (risos). Mas estou sempre procurando por bandas novas pelo MySpace, Facebook, procurando ouvir sons diferentes. E tem muita banda boa começando agora, que se realmente focar na música e no seu trabalho terá futuro. Dos meus clientes e lançamentos recentes acho que valeria a pena citar Degreed (Suécia), Until Dawn (Canadá), Dominanz (Noruega), Derision (Reino Unido), Escape Tonight (USA), Taxxi (Inglaterra), Hmennon (Brasil). Estilos bem variados.

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Além da ocupação como designer, que outras atividades tomam o seu tempo? Cite aqui alguns de seus outros hobbies.

Tocar guitarra já foi um hobby bem mais forte do que hoje. Tenho estado bem parado com música depois que comecei a entrar no ramo da arte. Gosto muito dos Rock Bars em São Paulo, adoro shows covers, é uma coisa que me diverte muito. Quase todo final de semana, não tendo que gastar de R$ 300 a R$ 1.000 para ouvir aquilo que gosto ao vivo. As principais bandas covers que acompanho em shows são a Children Of The Beast (Iron Maiden), Destroyer (KISS), Ozzmosis (Ozzy e Sabbath). Gosto de bandas que não somente sobem no palco e tocam covers, mas que se caracterizam e dão importância à imagem da banda, o que torna um show cover muito mais divertido e profissional.

Sou mais um Maiden Maníaco, doente mesmo pela banda (risos). Meu principal hobby é colecionar itens do Iron Maiden, como discos de vinil, Action Figures, camisas, qualquer coisa que eu encontre que seja interessante, principalmente, pelo meu grande amigo Eddie! Acho que KISS e Maiden são as piores bandas para você se tornar um fã doente (risos), porque você vai morrer e falir comprando coisas dessas bandas e não vai sequer chegar perto de conhecer tudo que existe de produtos disponíveis sobre elas (risos).

Obrigado por compartilhar suas experiências e tempo conosco. Nós, da Hell Divine, desejamos a você uma longa e próspera carreira de sucessos. Continue assim!

Bom, foi um prazer ter realizado essa entrevista com a parceira Hell Divine Magazine. Espero que tenha sido uma entrevista interessante e que tenha ajudado a conhecer um pouco mais sobre mim e minha marca. Acredito ter muito chão pela frente ainda (risos).

Meus trabalhos atualizados podem ser encontrados no meu site oficial www.CADIESART.com e no meu mypsace.com/cadiesartwork. Visitem e confiram os serviços gráficos oferecidos para bandas e não hesitem em entrar em contato. Estarei ansioso para discutir seus projetos e ideias.

The Art Of Caio Caldas

Entrevista: Yuri Azaghal